Franco Guardino nasceu em São Paulo, em 1987.
Muda-se aos 2 anos para Mogi Mirim, interior de São Paulo, onde passa sua infância: matéria prima do seu trabalho. Volta a capital em 2005, onde forma-se arquiteto, pela FAU Mackenzie em 2012.
A partir de 2016 leva sua expressão artística para o mundo através de publicações, exposições e uma comercialização orgânica e independente.
Temas como isolamento social, espiritualidade e uma nova maneira de viver são de fácil identificação em sua obra.
Entre figurativos e abstratos, constrói uma narrativa sem compromisso com o erro, à priori, embora agradar seja um sentimento em alerta ou um problema a ser resolvido. Sua bipolaridade está a flor da pele aqui.
Mais será revelado.
Tempo de Travessia
por Thas Bambozzi
Ainda é do tom do espanto o modo como a criação pode ser o caminho para se encontrar um lugar no mundo. Em tempos conturbados, é preciso forjar uma maneira nova de dizer as coisas, como uma cebola que nunca para de ser descascada. Camada após camada de compreensões, reúnem-se espectros para um novo sentido.
Nas obras de Franco, a temática nunca está dada e encontra-se distante da superfície. É preciso ir além, continuar o mergulho por pinceladas e traços na busca de algo que por ora nos escapa.
Nota-se um apego consciente aos símbolos para contar a si mesmo. Copos, cadeiras, o sol e as estrelas, o tempo, palavras soltas lançadas como flechas ao futuro carregam as marcas de muitas histórias entrelaçadas no passado. Há elementos do que foi, como um sonho perdido da infância, mas há também a imaginação do porvir. O que se faz com os sonhos que abandonamos pelo caminho? Além de os receber de volta em fragmentos, tenta-se elaborá-los e transmutá-los a partir das tintas.
Recalcular a rota quantas vezes for necessário. Transitar entre abstrato e figurativo, reunir elementos e depois apagá-los, mas manter suas marcas. Continuar experimentando atento ao que diz a intuição. Deixar o tempo passar e fazer dele um bom companheiro para a travessia que pode durar uma vida inteira. Encontrar um método particular de navegar em afetos e composições, ora na sombra, ora na luz, e passar essa sensação para a tela que a aguarda.
Há um pouco do artista em cada uma de suas pinturas, nas carrancas borradas do seu início em 2016 até os respiros bem pensados em suas composições e escolhas cromáticas de 2024. Com coerência, Franco se distancia do ego ao refletir sobre seu ofício, tenta resgatar sua essência, agarrando-a com as próprias mãos, para que ela não se dissolva em meio às demandas do mercado.
“Viver no simples é a melhor coisa que existe”, o artista me conta em uma tarde de conversa no ano passado. Como uma espécie de oração ou mantra, evidencia-se a proposta de uma nova maneira de viver e criar.
Assim, Franco guia nosso olhar através de suas inscrições e manchas de cor por novos capítulos de sua história, que recomeça sempre a cada dia.
2016 – coletiva ESKAMBO / espaço 299, Mogi Mirim – SP
2020 – capa e corpo revista literária PIXÉ / ed. Nº19
2022 – individual THERE, THERE / la raíz, Mogi Mirim – SP
2022 – coletiva ABSTRATO E POR AÍ VAI / espaço tinta, Barra Funda, São Paulo – SP
2023 – obra no decorado de @mr.melinaromano
2024 – publicação no instagram de reforma @cafofododani
2024 – representação no RJ por @casa.ocre_
2024 – obra em produção de @dudasennaarquitetura
2024 – obras em decorado de @mnbrarquitetos
2024 – acervo de artistas da BOOBAM
2025 – individual O SILÊNCIO ANTES DA TROCA DE ASSUNTO / Centro Cultura de Mogi mirim – SP