ROOM ON FIRE
200X185cm
carvão sobre tela
2025
A obra exibida, de traço bruto e propositalmente rudimentar, ocupa o espaço com a força de um gesto direto. Sobre o tecido cru, o desenho se estrutura como um totem contemporâneo: uma figura frontal, quase antropomórfica, que parece surgir entre a escultura e o grafite. A cor é ausente — ou melhor, suprimida — para destacar o contraste entre o gesto do risco e o vazio do suporte.
A linha, feita a carvão, é vibrante, rítmica, e revela uma tensão entre controle e automatismo. A forma central, com sua “coroa” espinhosa, remete a ícones de poder, mas também a caricaturas de figuras públicas ou personagens arquetípicos. O que poderia ser uma cabeça é ao mesmo tempo um bloco, um muro, uma presença. Há ecos de Jean-Michel Basquiat, mas sem o frenesi cromático — aqui, a contenção fala mais alto.
O suporte suspenso, como um estandarte ou bandeira, sugere uma presença transitória, efêmera, quase performática. O desenho, assim, se torna mais que imagem: é um corpo pendente no espaço, vulnerável, mas também afirmativo.
Não se trata de virtuosismo técnico, mas de afirmação do gesto como linguagem. A obra não quer agradar — e é justamente aí que encontra sua força.

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