‘tempestade’
carvão, acrílica e giz oleoso sobre tela
50x40cm
2025
Neste quadro, a artista reduz a forma a um quase-objeto — uma espécie de vaso ou recipiente — delimitado por traços simplificados, com contornos em verde escuro, rosa e preto, flutuando sobre o fundo branco cru da tela.
A composição se ancora na força do gesto: a pincelada larga e espontânea, com manchas amareladas sobre um campo azul, confere à imagem uma vibração instável, como se a figura oscilasse entre o reconhecimento e a abstração. Apesar da paleta aparentemente suave, há uma tensão latente na justaposição de cores e na imperfeição deliberada das formas.
“Tempestade” — como sugere o título — talvez não se refira ao clima, mas ao estado interior da forma, ou ainda à dissonância entre figura e fundo, entre controle e impulso. A obra evita a ilustração e aposta na sugestão. Ela não busca agradar nem explicar, mas abrir margem para o desconforto do não saber.
É uma pintura que encontra força justamente na recusa de ser assertiva. Seu mérito está em tensionar a linha entre o ingênuo e o deliberado, revelando uma linguagem visual que flerta com o infantil sem jamais se entregar à inocência.

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